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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Natal - Renato Schorr






 
Pipocam foguetes
Faces em sorrisos
Lágrimas em rostos
Presentes tantos
Tantos sem presentes.

Pairam esperanças
Cortejos de ausências
Angústias, ansiedades...
Natais que não chegam
Em lares modestos
De infelizes seres...

Natal! Natal! Natal...
Vieste trazer ânsias,
Inquietude, dor!
Vitrines enfeitadas,
Sacolas, presentes,
Vieste semear náuseas.

Menino Jesus vieste!
Exploraram tua vinda
Para vender presentes
Presentes não pediste,
Pediste humanidade,
Humanidade trouxeste!

Onde está teu exemplo?
No luxo da vitrine?
Na lágrima do cristão?
Na dor pai sem dinheiro?
No choro incontido do menino?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aos olhos de Deus








Querido irmão das preces serenas,
Das muitas fainas, eu sem quem tu és...
E o tempo de fé, no barro e na poeira
Levanto a bandeira de Aruanda em Bagé

Levantam palavras em nosso interior
No aroma da flor, tu sabes quem sou
Cantando aqui estou na poeira e no barro
E a fé que me agarro foi tu quem mostrou.

Do lado de trás da parede que fala
A luz nos embala querendo cantar
Ensina a rezar, e enternece este mundo
Num sonho fecundo que eu hei de semear

Nas preces serenas seremos irmãos
No culto das mãos bem mais que oradores
Há um templo - sem dores - acima de nós
Carente da voz do bem dos pastores

Queridos irmãos das preces contidas
Há um templo e guarida a espera do bem
E aquele que vem, repense o que é posse
E em feitos adoce e mereça o que tem!

O tempo é o agora, de ler e pensar
Está no olhar bem mais do que vemos
E o bem que queremos é o bem em comum
E sempre há algum sem nada que temos.

Além desse lar, as portas do Cristo
Perdão eu te insisto - cordeiro dos meus -
Meus lábios são teus, minha voz eu te oferto
Ensinai-me o que é certo aos olhos de Deus.


Lisandro Amaral
07 dez. 2010